terça-feira, 23 de junho de 2009

De vez em quando...


Às vezes me sinto só como a lua, fria como o gelo, lenta como um caracol.
Às vezes me sinto mágica como uma música, me sinto quente como o fogo, linda como o mar.
Às vezes me frusto, vou pelo lado contrário, entro na porta errada.
Às vezes meu sorriso contagia, as palavras acalmam, meu dia ilumina.
Às vezes minha tristeza aparece, minha raiva apodrece, minha noite escurece.
Às vezes procuro a chave, perco a senha, esqueço a lincença.
Às vezes compro a passagem e vou de pé.
Às vezes viro madame, vou de carro e fico no congestionamento.
Às vezes volto pra casa sozinha, calada, amendrontada.
Às vezes ando perdida, sem rumo ou com fé.
Às vezes perco a graça e a vergonha
Às vezes meu perfume aflorece, meu tesão enaltece.
Às vezes as palavras saem, as brigas surgem, os beijos calam.
Às vezes as despedidas doem, os abraços fazem falta, o olhar se perde.
Às vezes o coração é vazio, às vezes é cheio.
Às vezes conta os minutos ou perde as horas.
Às vezes vivemos, às vezes deixamos de olhar.
Às vezes decidimos, outras deixamos pra lá.
Às vezes se está aqui, às vezes está lá.
Às vezes se diz sim, às vezes se diz não.
Às vezes se ganha o jogo, outras perde no intervalo.
Às vezes o olhar é tímido, minhas palavras desconcertam, as mãos descobrem.
Às vezes o abraço é fogoso, o jogo é danoso, o barulho é perigoso.
Às vezes a cama é cheia e quente, às vezes vazia e fria.
Às vezes se pede um beijo e se recebe tudo.
Às vezes a mão e a lágrima se encontram.
Às vezes se ganha a vida e se doa a alma.
Só às vezes...


CARPE DIEM...

segunda-feira, 22 de junho de 2009


Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

[Achei este texto o máximo... Pensei em conpartilhá-lo com vocês!]